sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Silencie-se



O som do diapasão da aula de Semiologia lembrou a nota La do Frittz Dobbert (a mesma melodia com fundo em Si bemol). Aquele entrelaço de gravata com a alça direita do vestido que nunca houve. Que não haverá. O tempo que a gente não viveu. Foram tantas noites em que não fizemos amor. Noutras sim. O que dá o gosto de quero-mais na boca. O que dá aquele sentimento de te-quero-mais no peito. Um andar de altos e baixos no caminho que você conhecia. Você, somente. Eu pensei: “deixe-a me guiar”. E você tomou as rédeas do percurso.

Não mais sinto seus cabelos, seus meios... meio das pernas, meio do peito... meio do mundo. Não mais há olho no olho, boca na boca, sexo no sexo. E isso me anula. Estou surdo numa aula de ausculta. Não ouço ruídos, não ouço bulhas, não ouço coração. De nada mais me adianta seu corpo me mostrar tantas cifras. Não é tempo de melodia nova.

2 comentários:

  1. Doído. De um modo bonito. Mas muito doído.

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  2. Aquilo que seria luxúria tornou-se poético.

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